Redação Oficial é a maneira pela qual o poder público redige atos normativos e comunicações, deve caracterizar-se pela impessoalidade, uso do padrão culto de linguagem, clareza, concisão, formalidade e uniformidade. Fundamentalmente esses atributos decorrem da constituição, que dispõe, no artigo 37: “A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (...)”. Sendo a publicidade e a impessoalidade princípios fundamentais de toda administração pública, claro está que devem igualmente nortear a elaboração dos atos e comunicações oficiais.
Além de atender à disposição constitucional, a forma dos atos normativos obedece a certa tradição. Há normas para sua elaboração que remontam ao período de nossa história imperial, como, por exemplo, a obrigatoriedade – estabelecida por decreto imperial de 10 de dezembro de 1822 – de que se aponha, ao final desses atos, o número de anos transcorridos desde a Independência. Essa prática foi mantida no período republicano.
Esses mesmos princípios (impessoalidade, clareza, uniformidade, concisão e uso de linguagem formal) aplicam-se às comunicações oficiais: elas devem sempre permitir uma única interpretação e ser estritamente impessoais e uniformes, o que exige o uso de certo nível de linguagem.
Nesse quadro, fica claro também que as comunicações oficiais são necessariamente uniformes, pois há sempre um único comunicador (o Serviço Público) e o receptor dessas comunicações ou é o próprio Serviço Público (no caso de expedientes dirigidos por um órgão a outro) – ou o conjunto dos cidadãos ou instituições tratados de forma homogênea (o público).
A redação oficial não é, portanto, necessariamente árida e infensa à evolução da língua. É que sua finalidade básica – comunicar com impessoalidade e máxima clareza – impõe certos parâmetros ao uso que se faz da língua, de maneira diversa daquele da literatura, do texto jornalístico, da correspondência particular, etc.
É um truque muito bom da mãe natureza dar aos predadores corpos de bolinhas de pelo inofensivas. Mas é nosso dever dizer-lhe para não julgar a letalidade de um animal por sua aparência – você pode estar errado (e em perigo). 1 – PAPA-LÉGUAS
Você ouve “papa-léguas”. A primeira coisa que você pensa é num pássaro alto e magro que corre muito rápido, diz “bip bip” e foge de coiotes. E, enquanto a Warner Bros acertou algumas coisas (eles são capazes de voar, mas optam por correr muito rápido), desenhos animados raramente são fontes precisas.
Os verdadeiros papa-léguas são menores (pouco mais de 60 centímetros de comprimento do bico à cauda), e muito mais propensos a participar da matança do que fugir dela.
Papa-léguas são quase exclusivamente carnívoros. E a sua dieta não é composta de bichinhos pequeninos. Que tal cascavéis? O papa-léguas afunda seu bico na cobra (ou qualquer abominação que estiver enfrentando), a levanta para o alto e repetidamente a esmaga no chão até que esteja amassada o suficiente para engoli-la inteira
Esta técnica, segundo os cientistas, sujeita a presa a uma força externa de distância do centro de rotação – neste caso, o centro de rotação sendo o rosto do papa-léguas. A ave mostra quem é que manda. Ela também come outros pássaros. Nem sequer voa atrás deles – pelo contrário, só pula no ar e arrebata os animais conforme eles passam.
2 – ARIRANHAS
Lontras são alguns dos animais mais bonitinhos, de aparência mais inocente do planeta. Estatisticamente falando, 102% do que elas fazem é adorável. Ariranhas são iguais, só que maiores.
Com quase 2 metros, a “lontra gigante” é fisicamente o maior membro da sua família. E tem um apelido adorável: lobos do rio.
Ariranhas vivem na América do Sul, onde se alimentam principalmente de peixes como percas, bagres e… piranhas. Elas caçam em bandos (“matilhas”, daí o apelido), encurralando peixes em águas rasas. Para alimentar os filhotes, elas batem nos peixes até quase matá-los, mas os deixam vivos para que os bebês comam alimentos frescos (que atenciosas).
Mas não importa o quão mutiladora e espancadora de peixes a ariranha seja, ainda é apenas um mamífero fofo e peludo. Temos mesmo é que ter cuidado com outros predadores que assombram o rio Amazonas, como o membro local da árvore genealógica do jacaré, o caimão. Certo?
Só que ao contrário. Quando um par de ariranhas observam um caimão à toa na praia, podem começar a dar “patadas” na cauda do réptil, aparentemente apenas para se divertir (não que tenhamos prova disso). Talvez o jacaré perceba a enrascada e fuja, mas mais provavelmente ele irá atacar.
Claro que, espertas, as ariranhas se esquivam, só para encher o saco da cauda do animal novamente. E de novo. E mais uma vez. Até que o jacaré fique demasiado cansado para lutar contra elas. Então, os animaisizinhos fofos comem com calma o jacaré vivo. Começando com a porcaria da cauda.
Se tiverem ajuda, melhor. Se houver mais ararinhas por perto, elas vão ajudar a morder a cauda, enfrentar o jacaré e começar a mastigação. Um bando de ariranhas pode devorar um jacaré inteiro, com ossos e tudo, em 45 minutos.
Outra iguaria no menu das ariranhas é a anaconda (você pode se lembrar dela como a maior serpente maldita na Terra e seu maior pesadelo depois de um certo filme).
Um pequeno grupo de ariranhas nada e agarra a cobra, e, em seguida, começa a mordê-la e arranhá-la. Elas podem até esmagar a anaconda contra troncos de árvores e, se estiverem se sentindo particularmente malvadas, empregar uma técnica descrita por um biólogo como “cabo-de-guerra com uma mangueira de incêndio com vida” (aplique a anaconda no lugar da mangueira). Nada mau para um animal que parece um bicho de pelúcia que guincha.
3 – DONINHA
Sei o que você está pensando. Doninhas? Elas provavelmente caçam ratos, como praticamente todos os carnívoros de pequeno porte. O bicho é apenas um cachorro quente com pernas peludas. Um assasino feroz? Até parece.
Bem, a doninha de cauda longa não é apenas um dos assassinos em série mais terríveis da natureza, mas um dos seus muitos métodos de matança parece uma dança de rua.
Normalmente, a doninha gosta de matar envolvendo seu corpo em torno de sua presa, e, em seguida, esmagando o crânio da presa, mordendo-o. Se a vítima tenta escapar, a doninha corre atrás. Se a vítima ainda assim tentar fugir, a doninha esmaga sua traquéia em vez do crânio, porque variedade é o tempero da vida.
Agora, se a minúscula predadora resolver atacar inimigos maiores, como, por exemplo, lebres, que são rotineiramente três a seis vezes maiores do que ela, entra uma série complexa de movimentos realizados pela doninha para encantar o coelho com o poder da dança.
Aqui está um guia passo-a-passo para fazer os mesmos movimentos em casa: corra para a direita muito rápido; corra para a esquerda muito rápido; direita; direita; esquerda; esquerda; salte; pule; role; role; mate.
Doninhas são geneticamente programadas para cometer assassinato em massa. Elas matam sempre que podem e armazenam o alimento para mais tarde (só que raramente visitam sua coleção de cadáveres, porque preferem alimentos “frescos”). Também lambem o sangue das feridas que provocam, e como a cereja no topo do bolo de um serial killer, elas fazem seus ninhos com a pele de suas vítimas. $#!@%, doninhas…
4 – BABUÍNO VERDE-OLIVA
O babuíno verde-oliva é um macaco. E o que macacos comem? Você pensou “bananas”, não é? Bobinho.
Os babuínos verde-oliva – como todos os macacos – são onívoros oportunistas. Isso significa que eles comem qualquer coisa que acharem que parece deliciosa. Isso geralmente é grama e outras plantas.
Babuínos são conhecidos por pastar pacificamente ao lado de gazelas. Mas, de vez em quando, como qualquer homem obrigado a subsistir com salada por muito tempo, eles decidem que “já deu o que tinha que dar” e que querem um pouco de carne, %$#@!.
E é aí que a sua coexistência pacífica com o resto do mundo termina. Sabe as gazelas amiguinhas dos babuínos? Falsos. A qualquer momento, um babuíno pode decidir que quer algumas gazelas para si, como jantar. Assim, ele caminha até elas se fingindo desinteressado e fazendo o que quer que seja o equivalente de assobiar para um babuíno e, então, de repente cai para cima de qualquer animal que corra mais devagar (o que geralmente é uma gazela bebê). Maldosos.
Uma vez que pegou o animal, o bate e o morde, segurando-o como uma melancia, e desfrutando de suas entranhas maravilhosas.
Ocasionalmente, babuínos verde-oliva acordam e descobrem que sua casa foi invadida por um bando de flamingos (um “bando” significando “até quatro milhões”). Assim como com as gazelas, os babuínos ficam felizes em sentar e comer frutas com seus brothers flamingos.
Então, completamente ao acaso, eles atacam a cabeça dos infinitos flamingos, esquecendo-se do fato de que estão em menor número (4 milhões contra um). Pulando, correndo, gritando com o máximo dos pulmões, os babuínos esmagam, espacam, mutilam, destroem o bando de flamingos comendo as presas com pena e tudo. Malucos sem noção…
5 – FOCA-LEOPARDO
Focas? Agora forçou a barra. Elas são as criaturas mais bonitinhas, dóceis e adoravelmente indefesas do mundo animal. Oun!
Elas só comem peixe, certo? Bom, esse é um pressuposto que vai direito para a privada quando a foca-leopardo abre a boca e você descobre que ela parece um dinossauro.
Claro, todos os pinípedes, incluindo focas, são carnívoros. Mas, enquanto todas as outras focas comem peixes e outros animais de sangue frio, focas-leopardo são um dos predadores de topo da Antártida.
Como tal, elas têm um gosto por animais de sangue quente. Sim, podem até comer um peixe ocasionalmente, mas preferem lanchar suas companheiras.
Ainda mais perturbador é o seu gosto para aves. Elas comem patos felizes ou alguma outra ave marinha, mas seu prato favorito são pinguins.
Como predadores, se escondem em águas raras ou no gelo para agarrá-los de surpresa. Depois de pegar sua presa, a foca bate no pinguim, arrastando-o por toda a superfície da água para tirar sua pele antes de comê-lo. Ou, se estiver se sentindo particularmente misericordiosa, morde-lhe a cabeça primeiro. Há imagens disso que você não acreditaria. Fique só com essa que é melhor.
6 – BÚFALO-AFRICANO
O búfalo-africano é um herbívoro de grande porte que percorre os campos africanos. Sua característica mais marcante são seus chifres curvados. Ele passa a maior parte de seu dia deitado por aí, comendo grama e bebendo água. Você sabe, coisas normais de vaca. Que as vacas fazem. Porque são vacas.
Eles também assassinam qualquer coisa que sequer pensa em mexer com eles.
O búfalo-africano tem muitos apelidos, como “Peste Negra” e “Fazedor de Viúvas”. De fato, é o membro mais perigoso dos “Grande Cinco” da África.
Quem são os outros quatro? Leão, leopardo, rinoceronte e elefante. Isto significa que o búfalo-africano é oficialmente mais mortal do que os dois gatos gigantes, predadores mais famosos que existem; um monstro com chifres notoriamente mal-humorado e o maior mamífero terrestre sobre a Terra.
Mesmo os leões só ousam atacar búfalos velhos ou doentes (claro, claro, se estiverem longe do rebanho).
O búfalo-africano pesa até 910 quilos, e seu capacete de chifre, apesar da aparência estúpida, é uma combinação útil de aríete/impalador.
O búfalo também é, aparentemente, capaz de reconhecer o conceito de vingança – e, definitivamente, o único animal existente que adora se vingar.
Eles buscam vingança contra seus principais inimigos, os leões – especialmente aqueles que matam um filhote. Se um leão cometer esse erro, os búfalos vão pra cima com uma multidão que pode conter até mil animais extremamente irritados.
Na verdade, como algum leão seguramente ja matou um búfalo-africano em algum momento, eles fazem questão de atacar ativamente qualquer leão, como um ataque preventivo, ou (mais provavelmente), apenas para mostrar quem é que manda aqui.
E, se algum filhote estiver em perigo, cada membro do bando vem para ajudar. Veja:
Se você não assistiu o vídeo, vamos recapitular: um jovem búfalo é atacado por leões. Então, por um crocodilo. Então, os leões e o crocodilo brincam de cabo-de-guerra com ele. Até que todo um rebanho de búfalos aparece e mostra aos predadores o que é um espancamento, enviando os leões pelo ar, estilo desenho animado. E o búfalozinho, o qual duas espécies de predadores estavam fazendo seu melhor para matar? Sobrevive.
Tentativas de domesticar esses animais já foram feitas. Falharam, óbvio. Assim, como próximo passo (equivocado), nós caçamos os búfalos.
Como resultado direto, mais caçadores são eliminados por búfalos a cada ano do que por qualquer outro animal africano. Isso porque o búfalo é um grande adepto do ataque como a melhor defesa, e em esquemas de vingança como o melhor ataque.
Se você atirar em um, mas não matar, ele receberá um impulso de adrenalina que o deixará alheio à dor. Depois disso, ele fará da sua missão de vida lhe matar. Mesmo se você conseguir escapar do ataque inicial, o animal ferido irá lhe perseguir, lhe circular, esperando por uma chance de atacar.
Tentar atacá-lo novamente? Sinta-se livre, mas o material duro em sua testa é efetivamente à prova de balas. E a maior parte por trás dele está vindo em sua direção muito rápido, como um filho do Predador com o Hulk.
Para quem não sabe porque os alienígenas ainda não atacaram a Terra, eis a resposta: porque eles sabem que eventualmente teriam de lidar com os búfalos-africanos
Quando ingerimos açúcar, na água ou nos alimentos, ele é metabolizado pelo nosso organismo se trasformando em glicose e frutose, duas importantes fontes de de energia, que não possuem nenhum poder tranqüilizante ou sedativo.
Segundo especialistas, o açúcar pode provocar uma sensação de bem-estar por causa da produção de certos neurotransmissores, como a serotonina. É por isso que as pessoas confundem essa sensação de bem-estar com o tal efeito relaxante que muita gente acredita que a mistura de água com açúcar tem.
Ao mesmo tempo, existe o efeito placebo (ou remédio falso). A ingestão da solução água + açúcar pode ter um bom efeito psicológico e acabar acalmando por auto-sugestão. Pois o placebo apresenta efeitos terapêuticos devido aos efeitos fisiológicos da crença da pessoa que se sente “nervosa”. Uma ótima maneira de recuperar a tranquilidade é respirar fundo por alguns minutos para oxigenar o cérebro e como consequência a recuperar estabilidade emocional.
A menos que você use ervas como camomila e erva-cidreira junto com a água e o açúcar, você não terá um efeito calmante!
Porque a velocidade com que o ar se desloca é diferente nas duas situações. Quando você apenas abre a boca para o bafo sair, a velocidade do ar é baixa. Já quando você arma o “bico” para soprar, o ar sai bem mais rápido.
A diferença de temperatura que sentimos é só por causa disso. Tanto o ar do bafo quanto o do sopro têm a mesma temperatura antes de sair pela boca.Abrindo o bico Com a boca fechada, ar sai com mais velocidade e cria área de baixa pressão Sopro
1. Quando sopramos uma parte do corpo, deslocamos pequenas camadas de ar que estão junto à pele. Como a velocidade do sopro é alta, a pressão no local atingido diminui, pois, quanto maior a velocidade, menor a pressão
2. Outras moléculas de ar do ambiente tendem, então, a ocupar esse espaço de baixa pressão. Como essas moléculas estão numa temperatura mais baixa do que o nosso corpo, surge a sensação de resfriamento provocada pelo sopro
1. O ar que sai quando abrimos a boca para provocar o bafo tem uma baixa. Com isso, não é criada uma região de baixa pressão na área atingida por ele. Assim, moléculas de ar do ambiente não são atraídas pra lá
2. A única coisa que rola é uma mistura entre a camada de ar que estava em volta da pele e as moléculas de ar do bafo. Por terem saído de dentro do nosso corpo, as moléculas do bafo estão numa temperatura ligeiramente superior, o que gera a sensação de calor
O sopro só é frio se a temperatura ambiente for inferior à do nosso corpo. Dentro de uma sauna, por exemplo, o sopro será quente.
Esta será a maior ponte solar do mundo.[Imagem: Network Rail]
Ponte solar
Começou a ser construída em Londres, no Reino Unido, a maior ponte solar do mundo.
A ponte vitoriana sobre o rio Tâmisa, construída em 1886, será transformada na fundação da estação Blackfriars.
Sobre ela, a empresa japonesa Sanyo está instalando 4.400 painéis solares fotovoltaicos,
criando uma usina solar capaz de gerar 1,1 MW de energia.
Usina solar
Os painéis estão sendo instalados na forma de um teto de 6.000 metros quadrados.
Para compensar a cobertura, "tubos solares" serão usados para captar a luz do Sol e direcioná-la para a iluminação interna. [Imagem: Network Rail]
Em média, os engenheiros calculam que a ponte solar deverá gerar 900.000 kWh de energia, suprindo 50% do consumo da estação e reduzindo as emissões de carbono em 511 toneladas por ano.
Outras técnicas ambientalmente corretas que estão sendo instaladas na estação incluem um sistema de coleta de água da chuva, para uso nos banheiros e na limpeza, e "tubos solares", para captar a luz do Sol e direcioná-la para a iluminação interna.
Brasileiros apostam em código de barras genético, que identifica espécies a partir de seqüências no DNA Herton Escobar escreve para “O Estado de SP”: Depois de revolucionar as ciências biomédicas por meio do estudo do DNA, a biologia molecular agora busca dar sua contribuição também na área da conservação ambiental. Por todo o mundo, pesquisadores estão investindo na tecnologia de barcodes, ou código de barras genético, que busca identificar espécies a partir de seqüências no seu DNA. E, para não ficar de fora, cientistas brasileiros estão propondo um projeto de R$ 6 milhões para inventariar geneticamente a biodiversidade brasileira – e garantir que essas informações permanecerão sob domínio brasileiro. A idéia é evitar a perda de patrimônio biológico para outros países, como já ocorreu no passado com a taxonomia clássica – ciência que busca fazer a identificação de espécies por meio de características morfológicas. A maior parte dos espécimes originais usados para a descrição de espécies brasileiras durante os séculos 19 e 20 foi coletada por estrangeiros e está guardada em museus fora do país. Esses espécimes são conhecidos como holótipos (ou simplesmente tipos) e são os representantes mais importantes de qualquer espécie. "Não podemos deixar que isso aconteça com os barcodes", disse o geneticista Sandro Bonatto, da PUC/RS. A exemplo da taxonomia clássica, a molecular pode servir tanto para a diferenciação de espécies já conhecidas quanto para a identificação de novas. A vantagem é que isso pode ser feito de forma mais rápida e, às vezes, mais específica. Duas espécies podem ser tão parecidas que, em alguns casos, torna-se extremamente difícil distingui-las apenas por critérios morfológicos (chamadas espécies crípticas). Há pássaros aparentemente idênticos, por exemplo, que só podem ser diferenciados pelo canto. Nessas situações, o DNA funcionaria como um tira-teima. Outra aplicação seria na identificação de espécimes e materiais biológicos apreendidos pela autoridades, como sementes de plantas, peles, ossos e dentes de animais. "Ninguém está propondo reinventar a roda; queremos preencher buracos", explica o geneticista Fabrício Santos, da UFMG, um dos arquitetos do projeto brasileiro, ao lado de Bonatto. Ambos ressaltam que a idéia é agregar informações e não substituir uma ciência pela outra. "Mesmo que o barcode identifique uma espécie nova, isso ainda terá de ser validado pela taxonomia clássica", afirma Santos. "A palavra final será sempre do taxonomista e não do geneticista." "Existe um interface humana que sempre será necessária", reforça o pesquisador Carlos Roberto Brandão, diretor do Museu de Zoologia da USP. Dos espécimes tipos que não foram levados para fora do país, boa parte está guardada nas coleções do museu, onde a descrição de novas espécies faz parte da rotina diária de trabalho. Brandão esclarece que os espécimes mais antigos não foram "roubados". A lei federal que obriga a permanência dos holótipos no país é de 1967. "Nosso museus só recentemente assumiram o papel de depositários. Até recentemente, não havia o reconhecimento da importância de manter as coleções aqui." Trabalho de campo Um dos caminhos para o inventário genético seria coletar amostras dos próprios museus, mas nem sempre o estado de conservação dos espécimes é bom o suficiente para se fazer o estudo de DNA. Por isso a proposta da Rede Brasileira de Barcodes de DNA é fazer novas coletas na natureza. Os detalhes foram apresentados durante o 51 Congresso Brasileiro de Genética, na semana passada, em Águas de Lindóia. O projeto envolve mais de cem pesquisadores, de várias instituições, com a meta de coletar 150 mil amostras de espécies de fauna e flora em todos os biomas brasileiros ao longo de dois anos. A proposta foi submetida ao último edital do Programa Institutos do Milênio, do Ministério da C&T, cujo resultado deverá ser anunciado neste mês. Metade dos R$ 6 milhões seria apenas para as expedições de campo. E os grupos taxonômicos inicialmente estudados seriam mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes, aranhas e plantas. Mas que fique bem claro: ninguém vai sair pelo mato com uma pistolinha laser, identificando espécies como num caixa de supermercado. A idéia é coletar amostras de tecido de cada espécie e, dessas amostras, extrair o DNA que será usado na identificação. O DNA completo deverá ficar guardado em coleções genéticas brasileiras, enquanto as seqüências usadas como código de barras (apenas um pequenino trecho de DNA mitocondrial, de apenas 70 bases) serão lançadas em um banco público de referência - a partir do qual poderão ser feitas consultas para identificação de membros daquela espécie. O banco de dados do projeto internacional Barcodes da Vida já tem mais de 36 mil seqüências, representando mais de 13 mil espécies. Nesse ponto, a pesquisa também traz algumas preocupações. Principalmente, a de que as amostras de DNA não caiam nas mãos de estrangeiros e acabem fomentando a biopirataria. "O problema é que o barcode é só a ponta do iceberg. Temos de tomar cuidado com o que está embaixo", disse o pesquisador Horacio Schneider, da Universidade Federal do Pará. "Os dados têm de ser muito bem protegidos." (O Estado de SP, 15/9)